Marco 1O

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É como sentir que está perdendo alguma que se esvai pelos dedos sem se poder evitar. É criar esperanças de mudanças. É esperar o melhor. É ficar feliz mesmo quando a vontade é chorar. É sorrir e abraçar desconhecidos. É desejar o melhor. É olhar pra trás e ver que valeu a pena. É tentar melhorar. É desejar. É sentir saudades do que passou. É olhar pro céu e gritar. É sentir o tempo. É arrepender-se. É ficar a espera do inesperado. É perdoar. É amar. É lavar a alma livrando-se de mágoas e rancores. É querer sempre mais. É sentir o sol de um dia novo igual. É só mais um marco no tempo. É só a vida passando sem sentir. É só mais uma ruga de muitos sorrisos. É só o que não volta mais. É muito mais que só. É esperança. É luz. É paz. É amor. É vida.

- E que venha 2O1O!

Era madrugada...

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Era madruga. Naquela noite Ana estava com insônia, não sabia ao certo o que lhe causara a falta de sono, mas ainda rondava o quarto vazio e quente. Era verão. Ligou o computador pra tentar distrair o seu não-sono, resolveu reler alguns históricos de conversas de outros verões, de outros invernos... Um arrepio cortou-lhe desde a espinha, um turbilhão de memórias apagadas, até mesmo esquecidas, estavam agora diante de seus olhos sem foco. Relembrar doía seu coração embebido ainda de saudade. Aquela mesma saudade presa agora em suas raízes desde que a vida começou a lhe fazer algum sentido ou nenhum sentido - era o mais provável. Estava cansada da repetitiva onda que ia e vinha a afogar seus sentimentos em dor. Estava cansada de ter sempre que ceder, em ser sempre a que sai do caminho pra dar passagem. Estava cansada de ser adjetivos no diminutivo. Estava cansada de não poder fazer nada.

Amanhecia. O quarto ainda estava quente. Ana ainda remoia histórias, queria se virar do avesso. Ainda havia insônia. Não conseguia concluir seus pensamentos. Perguntava-se quando chegaria o seu final feliz. Sim, porque Ana era uma sonhadora, talvez boba para alguns. Mas ela queria ter algo em acreditar, alguma solidez pra se agarrar, queria criar esperanças pra continuar vivendo enfrentando as adversidades. A mesma sonhadora Ana dormiu em meio ao mar quente de desejos, lembranças e sonhos. Queria sossego. Era verão.

Lucidez

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O frescor da noite invadia sua janela aberta. Passava da meia noite, ainda estava na frente do seu computador a balbuciar e teclar coisas que nem sabia mais. O vento acariciava-lhe o rosto na tentativa de suprir sua carência naquele momento em que só precisava de um abraço mudo ou um par de olhos dourados pra afagar-lhe a alma. Os pensamentos iam embora com a escuridão e lágrimas secas. Esperava não sabia bem o que, nem porque, mas seu coração palpitava incessante. As borboletas reviravam seu estômago. Precisava lembrar-se a cada segundo de respirar se não morreria ali mesmo, junto com os seus sentimentos não tão vivos agora. O rubor de suas bochechas apontava para vida ainda presente ali naquele recinto, onde as lembranças que despontavam em sua memória faziam corar. A música preenchiam a sala com uma neblina espessa de saudade. O frescor da noite a trouxe de volta. Realidade. Ponto final. Melhor reticências e parênteses - sempre pensava aos finais e recomeços. Encerrou naquela noite os pensamentos e a angustia em forma de nó na garganta. Botão desligar.

Nem fé, nem santo

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Caí assim sem vontade, pela metade eu vivo a esperar. Meu coração tá manso eu só descanso e espero passar.

                   Mallu Magalhães

Feeling

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E quando bate a saudade eu fecho os olhos e lembro os momentos em que sorrimos juntos, em que choramos juntos. De todos os encontros até mesmo dos desencontros. Dos abraços, dos sorrisos e até dos olhos que sorriam pra confortar quando preciso. Alguns voaram pra longe, outros ficaram mais perto, um perto longe ou um perto bem perto. Os bilhetes, a fotos, agora meras recordações. O tempo insiste em querer passar, em querer levar as lembranças e deixar a saudade. Mas quando ela bate é por vocês que eu fecho os olhos, é por vocês que vale a pena voltar ao passado e temer o futuro.

P.s: Post dedicado ao Terceiro ano de 2OO8 do CTFJC.

Behind

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O sol invadia os olhos por trás das lentes degradê. Era um dia quente de verão, e ainda não havia visto mar. O sopro quente do vento dissipava as lembranças. Os cabelos esvoaçavam e lhe tomavam o rosto de bochechas rosadas. Fitava o horizonte, suspirava... céu azul. Quisera sair por ai sem rumo, nem prumo, só sonhos. Sem lágrimas, só sonhos. Mais uma tarde quente de verão, ainda não havia visto o mar, seus pés não tocaram a areia quente, o nariz não se embriagara de maresia. A mais quente das tarde de verão. Céu e nostalgia. Azul sem mar. O ir e vir dos carros agora invadiam suas lentes degradê sob o sol de verão.