
O frescor da noite invadia sua janela aberta. Passava da meia noite, ainda estava na frente do seu computador a balbuciar e teclar coisas que nem sabia mais. O vento acariciava-lhe o rosto na tentativa de suprir sua carência naquele momento em que só precisava de um abraço mudo ou um par de olhos dourados pra afagar-lhe a alma. Os pensamentos iam embora com a escuridão e lágrimas secas. Esperava não sabia bem o que, nem porque, mas seu coração palpitava incessante. As borboletas reviravam seu estômago. Precisava lembrar-se a cada segundo de respirar se não morreria ali mesmo, junto com os seus sentimentos não tão vivos agora. O rubor de suas bochechas apontava para vida ainda presente ali naquele recinto, onde as lembranças que despontavam em sua memória faziam corar. A música preenchiam a sala com uma neblina espessa de saudade. O frescor da noite a trouxe de volta. Realidade. Ponto final. Melhor reticências e parênteses - sempre pensava aos finais e recomeços. Encerrou naquela noite os pensamentos e a angustia em forma de nó na garganta. Botão desligar.

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