Era madrugada...

|

Era madruga. Naquela noite Ana estava com insônia, não sabia ao certo o que lhe causara a falta de sono, mas ainda rondava o quarto vazio e quente. Era verão. Ligou o computador pra tentar distrair o seu não-sono, resolveu reler alguns históricos de conversas de outros verões, de outros invernos... Um arrepio cortou-lhe desde a espinha, um turbilhão de memórias apagadas, até mesmo esquecidas, estavam agora diante de seus olhos sem foco. Relembrar doía seu coração embebido ainda de saudade. Aquela mesma saudade presa agora em suas raízes desde que a vida começou a lhe fazer algum sentido ou nenhum sentido - era o mais provável. Estava cansada da repetitiva onda que ia e vinha a afogar seus sentimentos em dor. Estava cansada de ter sempre que ceder, em ser sempre a que sai do caminho pra dar passagem. Estava cansada de ser adjetivos no diminutivo. Estava cansada de não poder fazer nada.

Amanhecia. O quarto ainda estava quente. Ana ainda remoia histórias, queria se virar do avesso. Ainda havia insônia. Não conseguia concluir seus pensamentos. Perguntava-se quando chegaria o seu final feliz. Sim, porque Ana era uma sonhadora, talvez boba para alguns. Mas ela queria ter algo em acreditar, alguma solidez pra se agarrar, queria criar esperanças pra continuar vivendo enfrentando as adversidades. A mesma sonhadora Ana dormiu em meio ao mar quente de desejos, lembranças e sonhos. Queria sossego. Era verão.

0 comentários: