
O céu sorria em estrelas e a lua reluzia com seu irritante prata-brilhante. Barulho, risadas, vodka, sono, os olhos vagavam distantes dali. Talvez ainda tenha ainda os olhos úmidos do inverno passada, ou talvez não. As lembranças intactas insistem em voltar. Sim, é mesmo inútil ter certeza. Ainda esperava por aquele final feliz, por aquele sonho, desejo realizado. Àquela hora, talvez já um pouco alta, a diversão era seu prazer. Esperava o bolero, o seu bolero de vinho tinto. Pernas bambas, o sorriso ia se perdendo em alguma curva. Podia sentir sua respiração, o desejo em meu olhar. A fuga do seu. Inspiração dos meus sonhos, não, por favor, não me acorde. Seu hálito em minha orelha, as palavras não eram aquelas, queria mais, sempre queria mais. Agora eu queria mais. Talvez o certo fosse o menos. Não queira nem de longe me entender. Você mesmo é indecifrável. Não consigo ler em seus olhos, sua alma agora também não me diz nada. O desejo, wisk sem gelo, sem risadas. A dança muda de pés desnorteados. O esperar. A decepção. Água que não lava a alma, não mata a sede, a sede de você. O céu já nem sorria mais em estrelas, suspirava em saudade, nostalgia e vontade em um nublado alaranjado, acinzentado. “Quem vai dizer tchau?!”. As promessas falsas criaram o medo, o amor adormeceu. Seu corpo junta ao meu trôpego querendo aventura de uma noite finita que acabou no vazio.
Ainda sinto o gosto, o cheiro daquela noite...

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