Lá estava ela sentada com o queixo apoiado sobre os joelhos olhando o vai e vem das ondas e ouvindo o barulho de quando o sol toca o mar no horizonte amarelado. Tudo era tão melancolicamente frio, que nem o sol de verão havia conseguido secar suas lágrimas que banhava a sua face. O vento acariciava seus cabelos e a fazia sentir menos sozinha. A grandeza do oceano azul-esverdeado fazia brilhar as duas jabuticabas que ela tinha por olhos e seu maior desejo era atravessá-lo e despencar no horizonte, cair lá do outro lado do globo ou ir de encontro ao sol, onde tudo é mais amarelo-alegre-brilante-quente.
Um pescador estava ali perto, havia voltado da sua pescaria diária e ajeitava a rede para o dia seguinte, ele reparou naquela menina que de tão encolhida na areia parecia que queria entrar em si própria e arrancar o que lhe afligia.
Num salto ela levantou e começou a sua obsessiva e lenta caminhada em direção ao mar que a hipnotizava, ela deixou as pernas serem agarradas ferozmente pelas ondas e continuou a caminhar em direção ao sol, seu olhar era vago, parecia que lhe haviam roubado a alma. Curioso, o pescador a acompanhava com os olhos e uma ruga em sua testa mostrava sua incompreensão diante daquela cena pintada em aquarela diluída em lágrimas.
Como que instintivamente ele a gritou, não sabia o porquê fazia aquilo, mas temia o pior, ela já estava muito distante da areia. Ao ouvir o grito do pescador ela acordou como de um sono profundo e voltou-se a ele, olhava ao redor como se não soubesse o que estava fazendo ali, uma grande onda de desespero a derrubou. O pescador imediatamente foi ao seu encontro e a levou de volta à areia seca e fofa. O frio que tomava conta do seu corpo agora era real, ela estava encharcada.
Estavam os dois a conversar enquanto a lua surgia de dentro do mar, uma lua redonda de um cinza amarelado brilhante trazia mais uma noite quente de verão, mas não uma noite qualquer de verão, aquela noite seria diferente para a menina.


9 comentários:
pescador inconveniente...ela era sereia e queria voltar pra casa...
beijos daqui...
LAgrimas formam rios e o secam tbm quando param de descer!
bj
Oii!
Sou Caren, amiiga de Suellen (sua amiga do Técnico).
Adooooroooo seu blog, sempre que posso venho aqui.
Tb amo ver suas fts do orkut.:D
Mas queria saber, esses textos são seus?!
Perdoe-me a pergunta...Mas é que se for, meu Deus!Estão perdendo uma graaande escritoora.
=D
Beijos.
se quiser, dá uma passadinha em meu blog,tá?!
faltam muitos pescadores hoje em dia. beijos =)
Quee bom!
Sucesso em sua vida literária.;)
um dia quero comprar um livro seu!
rs
enquanto vc não lança...me contento em ler seus posts!
=D
É sempre o horizonte.
O mesmo?
Não...nunca.
As pessoas também não são as mesmas, mas as incertzas algumas vezes se tangenciam.
Amei o texto.
Continue assim, 'contando' tudo.
Beijo!
OPaaaa que bom que sentiu falta, e olha, pra vc ver como senti do seu tbm, fiquei um tempão sem escrever pq as coisas estavam corridas...e quando tiver a oportunidade de voltar a ler...voltei ao seu...
depois vou ler com calma e comentar seu texto...
e seja (re)bem vinda!!!
Essa ilha de insensatez em que vivemos é quebrada as vezes por ondas de racionalismo inusitado; o mar, um pescador.....
Fiquei encantada com sua critatividade!!!
Parabéns, viajei em seus textos.
Foi a Caren, minha filha, quem me falou de seu brilho lierário!
Um beijo, prazer saber de arte!!
Sucesso!
cristina mota
clavescomasas.blogspot.com/
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